terça-feira, 18 de setembro de 2012

Sobre adaptações e outras questões estéticas


Vivemos o afastamento contínuo das questões originárias das obras de arte como um todo. Conhecemos as obras de grandes pintores através de figuras, sites e blogs espalhados pelo mundo da “cibercultura” (Pierre Levy – Cibercultura), ouvimos os sons do mundo que ainda podemos baixar nos nossos computadores, lemos os seus escritos traduzidos, revisados, adaptados..., sem nos darmos conta de que nos acomodamos completamente com esse “des-conhecer” das verdadeiras das obras.
Conhecer a verdadeira obra é, nesse caso, ter um contato próximo, dialético e constitutivo com o autor através de sua arte. E essa aproximação de olhares só é possível, a meu ver, no contato direto com a obra em seu estado mais primeiro.
          Em se tratando da “era da reprodutibilidade técnica”, como indicou Walter Benjamin, as obras de artes estão, de maneira quase comum, sendo dissolvidas pelos meios através dos quais elas sobrevivem. Hoje em dia os meios de produção da cultura, em algumas esferas artísticas, precedem as formas artísticas e as suplantam, não fazendo sentido a busca pelo estabelecimento do contato único e exclusivo.
Percebemos esse afastamento com mais nitidez quando nos deparamos com estas questões no cinema, parte alvo da critica benjaminiana, pois nele vemos a dissipação dessa questão como cerne e razão de sua existência, uma vez que o meio como se propaga, e a função de se propagar a sétima arte, é mais importante do que o link que a obra de arte original cria entre autor e “uso-fruidor”. Ainda que alguma coisa da sua essência resista nas cópias espalhadas pelo mundo, a origem deixa de ser questão.
(Digo “uso-fruidor”, por acreditar que “fruidor”, quando o assunto é artes, é uma palavra que denota muita passividade, ao passo que explorar o “caráter de utensílio da obra de arte” (Heidegger – A origem da obra de arte) na denominação do esteta, me parece mais honesto com a força “intelecto-criativa” imprimida por quem entra em contato com uma arte).

O cinema foi criado para atingir de maneira mais abrangente a maioria das pessoas, ou mesmo uma maior quantidade de pessoas dispostas. Por muitos anos o cinema foi considerado uma arte menor, justamente por essa perda de contato e por criar uma forma de arte única e exclusiva não ao vivo, o que resulta na perda do contato com o autor e seus atores e que no fim das contas significa que a obra original se perderia com o tempo.
E o tempo chegou tornando a propagação, que era difícil nos primeiros rolos de filmes, fácil com arquivos de computadores. Assim, ressaltando o fim da obra original, da matriz. Mas o assunto do cinema me parece mais cercado, confirmando-se e afirmando-se sua existência nesses exatos termos. Mudemos então para as artes plásticas.
Num catálogo de artes plásticas, por exemplo, a forma de publicar e expor a obra original dos pintores nos induz – veladamente, diretamente, ou mesmo despretensiosamente – a querer conhecer a obra em si, nos aproximando do autor, travando um dialogo com ele através do contato com a sua obra original, que exibe seu traço, sua maneira e sua identidade, de certa forma. É possível estender esse assunto e dizer que no caso de uma obra de arte arquitetônica, por exemplo, só faz verdadeiramente sentido e só cria esse dialogo verdadeiro entre uso-fruidor e autor, quando exposta no local onde ela foi feita, mas deixemos de casos e vamos ao que viemos.



            As adaptações de livros

Em se tratando de arte literária a coisa se complica ainda mais. Pois não só o meio editorial dissolve a origem, a obra matiz, como a tendência das adaptações cria um rompimento completo com o dialogo com o autor, passa a haver uma monitoração e uma mediação que nos acomoda no nosso próprio saber.

Estava eu, semana passada, em um debate onde se afirmava o valor das adaptações de textos literários, porém a quantidade de pessoas concordadas no debate e a possível guerra que iniciaria a minha opinião me fizeram calar essa questão. De certa forma esse constrangimento, de coração acelerado, que sofri durante meia hora, por ter de me controlar, me fez bem, pois pude organizar algumas ideias para compartilhar de uma maneira mais pacifica e sucinta.
Uma questão me assombrou durante o debate, pois fui pego pelo calcanhar, como um Achiles. Vamos cronologicamente situar a questão numa situação hipotética, como uma historinha grosseira para eu exemplificar a minha questão:
Um autor escreveu na década de trinta um livro, revisado e editado a altura do “acontecimento poético” (Manuel Antonio de Castro – Acontecer poético), o que já daria margem às criticas da interferência na obra, mas que durante a década de quarenta se tornou conhecido, celebre e lido com maior frequência.
Nos anos dois mil, a demanda por reedição desse livro se estende e as editoras percebem que precisam adaptá-lo ao tempo do agora, pois sua linguagem já não é mais tão usual; outra editora resolve adaptá-lo para crianças e pressupondo que elas são seres alienados transforma os temas cruciais expostos na obra do autor em coisas mais lúdicas; outra ainda, acha que o livro é muito extenso e o reduz de 500 páginas a 60 páginas com ilustrações.
Parece claro que as adaptações interferem no texto original de uma forma fatal e grosseira, atendendo a demandas extra-arte: demandas de mercado, demandas editoriais e tantas demandas mais que não privilegiam por si só a permanência do livro original, porém o que mais me deixa encucado é que estamos, dessa forma, pautados no nosso conhecimento presente de mundo, de linguagem e questões, pois as adaptações somente usam como argumento a necessidade de aproximar o leitor da obra literária, mas o debate de épocas, conceitos e contextos históricos se esvai; a função dialética da obra se perde e o dialogo de contexto se anula.
Nós nos acomodamos com as adaptações, pois acreditamos estar em contato com a obra em si, quando nem vislumbramos essa distinção, quando somos ludibriados pelo resumo, revisão e edição. Os textos começam a ser facilitados em sua leitura, mas era a dificuldade do trato linguístico e dos temas propostos em “Os irmãos Karamazov”, que o significava.
Meu calcanhar foi atingido por nunca haver percebido que me afasto, me acomodo e me ludibrio com um contato mediado das obras matrizes em função das traduções dos livros estrangeiros, e cabe aí uma crítica semelhante a das adaptações, mas, como não domino uma outra língua que não a minha própria, seleciono essa “anulação” artística como saudável ao meu conhecimento, ainda que vago e intermediado, e as outras (adaptações e afins) julgo como afrontas à minha busca pela uso-fruição honesta e construtiva, mas acredito que a interferência do tradutor é menor e mais fiel a obra do que as adaptações.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Radicais Livres


Os momentos políticos se sobrepõem aos montes e é cada dia mais inviável uma dissociação de um discurso comum, ignorante e alienado que seja, de uma plataforma partidária. Isso exemplifica o quanto estamos sujeitos, enquanto despreocupados e despreparados, às normas das tendências cristalizadas e não-dialéticas dos partidos.
A cultura partidária no Brasil é cega, surda e muda e, com isso, atravanca o caminho da democracia sustentável (já que este termo está na moda) e real. Os partidos, há muito fechados em suas ideologias, não dialogam, e não têm a abertura necessária para a desconstrução e reconstrução, entre si e com o povo. Acabamos, por assim dizer, vivendo numa guerra fria contemporânea entre os ideais de esquerda e de direita. Somos o povo entre a justiça social e o progresso nacional.
É claro que se propõe que o progresso traga a justiça social à reboque, assim como é claro que, hoje em dia, a esquerda assuma uma postura social progressista, onde a justiça social fomentaria o progresso. Há erros homéricos em ambas as posturas, pois a esquerda, ao menos a brasileira, luta para entrar no poder e a direita luta para se sustentar no poder. E o problema é exatamente a base desse poder.
O poder político é sistemático, o que significa dizer que existe uma máquina, com engrenagens, botões, alavancas, arruelas e todo um maquinário complexo que faz com que o robô da social-democracia progressista ande. Contudo a autonomia do robô não é discutida.
Vejamos! Por que, hoje em dia, excetuando-se os guetos ideológicos marxistas, que jogam o jogo político, praticamente fadados a perder, a esquerda se moldou ao sistema a ponto de nem sequer pode ser mais, com tanta convicção, chamada de “esquerda”? Porque o maquinário do robô faz com que ele continue andando, num caminho já predeterminado, por força de outras engrenagens que não são político-ideológicas. O progresso e o caminho da máquina são determinados pela economia, ou seja, o Estado não tem autonomia, não há substancial mudança interna, ao se mudar os candidatos eleitos, ou os partidos eleitos. Todos tocam lendo a partitura do maestro econômico. E ainda é preciso salientar que só vai chegar ao poder aquele partido de “esquerda” que tiver suavizado as suas ambições (por isso o carma dos marxistas), por determinações mercadológicas e econômicas. Porque o PT não foi um governo tão diferente assim, apesar de existir argumentos que me tentam impedir de dizer isso, do governo PSDB? Pois a máquina anda independente do partido. Anos bons e “gastadeiros” e anos maus de austeridades, nada está nas mãos dos representantes, pois o ciclo do mercado financeiro nos dá alma.
Portanto a melhor dicotomia para atualidade é, a propaganda do poder e do progresso versus a consciência do caos e dos desequilíbrio. Nesse ponto os guetos marxistas perdem ainda mais poder de avanço, pois a propaganda do caos não é tão atrativa quanto à propaganda situacionista da esperança e da mudança, pois o povo é, desde os primórdios alienado pelo trabalho, pelo consumo..., logo, vale dizer que a propaganda de que o progresso do asfalto, da TV a cabo, da possibilidade financeira por perto (o que é tratado como um mérito governista e deveria ser tratado como o cumprimento da obrigação) são muito mais bem aceitas do que a explanação do caos e das desigualdades pela maioria da população. Não quero dizer, com isso que o erro está na cartada da esquerda, mas sim no jogo que é jogado.
No jogo político que ai está é preciso ser mais sonso do que sincero, pois o povo não quer temer o que vem, mas quer acreditar. Com isso, a meu ver, propostas de mudanças no carnaval do Rio, como a exposta pelo candidato Marcelo Freixo, devem ser efetuadas, mas não necessariamente usadas em campanha, pois para a propaganda é um tiro que sai pela culatra, pois se trata de uma coisa popular enraizada na cultura e que se deixou levar cegamente às doutrinas submissas das premissas mercadológicas. Mas é preciso frisar a “cegueira”, pois quem está lá no barracão não sabe e não quer nem saber de mudança e de nada adianta dar depois explicações abalizadas, pois quem está lá no barracão ganha o seu dinheiro, tem a ilusão de mudança de vida e teme por não ter mais o seu sustento. À grosso modo, o povo teme não poder mais ter TV, ter carro, ter dinheiro, ter.

É preciso que fique claro que vivemos em um caos, mas é preciso que todos coloquem os óculos de enxergar miséria, já que estamos tão automatizados e inseridos. Quando pusermos todos esses óculos perceberemos a incapacidade da nossa democracia, do nosso sistema político, dos nossos partidos e do nosso Estado. Perceberemos então que o caminho é outro, que não o de escolher uma tendência e se fechar num abismo de ilusões. E nesse meio de radicais (gueto-esquerda/esquerda-neoliberal/direita) nascerá outra frente de radicais, utilizando-me da nomenclatura e das definições químicas para nomear esse movimento político, os “Radicais Livres”.

Claro que eu poderia me embasar nas definições (pois existem várias) para as palavras “radical” e “livre”, mas apesar de ter sido uma matéria dos meus horrores na escola, acho que as definições químicas se aproximam mais do que penso e definem as duas palavras de uma vez.



      1)         Radicais livres são espécies que apresentam elétrons desemparelhados. Os radicais livres possuem elétrons de valência desemparelhados, e, portanto, são altamente reativos, podendo inclusive reagir entre si em uma dimerização para formar uma molécula com todos os elétrons emparelhados.”.

       Radical é aquele que toma pela raiz um ideal, nesse contexto, e se apega a ele, negando a possibilidade de outro pensamento, pois qualquer outro partiria de uma ilusão. O Radical Livre é aquele, como o exposto na definição química acima, que possue o descontrole necessário para se ser reativo, capaz de reagir inclusive internamente com seus conceitos a ponto de transformar em total descontrole os processos automatizados do seu ser.

 2)       “Os radicais livres podem danificar células sadias do nosso corpo, entretanto, o nosso organismo possui enzimas protetoras que reparam 99% dos danos causados pela oxidação, ou seja, nosso organismo consegue controlar o nível desses radicais produzidos através de nosso metabolismo.”.
    É preciso esclarecer que é justamente naquelas esferas mais sadias da sociedade que se encontram incubados os vírus mais potentes. Portanto, a saúde é uma ilusão, assim, os radicais livres danificam o sistema que nos ilude com a sua aparência saudável. A proteção do organismo é a repressão da manifestação popular, que á existe e permanecerá até a derrocada final com mais autoritarismos.
      Nada disso é necessariamente certo, pois é só uma vidência e uma premonição de quem nunca acreditou nessas místicas. Mas se essa possibilidade existe, e ela existe, é bom que atentamo-nos e atentemos uns aos outros, pois a liberdade partidária (não aquela do "não quero saber disso") é a chave para a discussão dos problemas da sociedade, porque a fidelidade partidária só vale para os não eleitos e ilude quem procura um "ideologia para viver", como Cazuza cantou. 
 Esse joguete com entre química e política, é, claro uma brincadeira, e uma suposição fundamentada na minha esperança de mudança, aonde a conscientização da maioria viria em primeiro lugar, onde a construção do homem político seria a primeira etapa para a reconstrução, incluindo a demolição dos pilares, da nossa democracia. E nada desses termos e definições se deve a algum pensador, filósofo, sociólogo, ou o que seja..., esses devaneios me pertencem, essas tolices me configuram. A minha esperança é a minha “liberdade”, sem que precisemos nos aprofundar nos conceitos filosóficos desses “nomes-tramóias” que criamos e não vamos saber explicar nunca.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Perda de tempo


Quanto se perde parando para pensar? Uns dez minutos de raro desgaste intelectual, que equivalem a um segundo de stress corporal cotidiano, e isento de reclamações e satisfações a serem dadas. O pensar sobre exatamente esse assunto (exploração do trabalho) que, por estar diretamente atrelado ao pensamento marxista de exploração capital, e às suas corriqueiras interpretações corruptas, já é tomado preconceituosamente como uma perda de tempo chata e sem sentido algum, de que vale? O que fazer quando o homem passa a achar desnecessário e sem função o "pensar mais" sobre um assunto tão vívido e vivido?
As pessoas continuam sendo exploradas por sistemas que as anulam e o desgaste corporal e emocional que resulta de seus esforços laborais as fazem desejar a distração mais breve, ou melhor, as interações superficiais, a satisfação simples e a fruição distráctil como compensação a essa ruína.
Não precisamos dizer aqui que a lógica do sistema prevê todas as anulações sofridas pelo homem, pois o mesmo trabalha para sustentar suas necessidades, é compelido pelo mercado e pela propaganda a consumir “des-necessidades” e, com isso, a trabalhar desesperadamente para sustentar os seus "não-sentidos" pós-modernos (que, na maioria das vezes, chamamos de produtos), pois os sistemas só perduram por força dessa logística alienante. Cabe desde já dizer que o mercado/economia é quem coordena ideologicamente o mundo e que coisas concernentes à cultura, política e outras tantas esferas, hoje em dia, nada mais são do que simples produtos com valores estipulados pelo mercado de consumo. Hoje se pode comprar tudo!
A escravidão e a exploração evidente do trabalho se transformou em uma doutrina de ambições do mercado, que fazem do pouco tempo conseguido pelo homem, para o zelo de si, um tempo de contas, preocupações, recomendações e rememorações de problemas do trabalho, medicações paliativas e distrações alienantes, ou seja, de ruminações do esforço de ser nessa sociedade pautada no poder capital, que iludem a transformam a sensação de bem estar em "simples estar" acomodado.
O cru capitalismo assumiu, hoje em dia, microformas que se entrelaçam como o mercado, a propaganda, a moda, o consumo, o trabalho, a economia, a indústria..., mas a lógica explorativa do capitalismo destrinchado por Marx ainda é a mesma e está presente em todas as etapas dessas microformas. A exploração do trabalho, que antes era grossa, rústica e mal acabada, como uma pedra bruta de diamante, hoje é lapidada e possui muitos detalhes, por vezes opacos e de difícil compreensão, mas sempre visíveis a olhos atentos e que desejem entender. Acontece que o problema encontrado por Marx, numa época inicial de revoluções industrio-culturais, onde as coisas eram separadas mais facilmente, se diluiu e se misturou com crescimento do mercado e da economia e se transformou em uma exploração mais ideológica do que corporal. O homem explorado pelo mercado, hoje tanto quanto pelo trabalho, não acredita em tempo para si, não vê com bons olhos o ócio, ainda que (e é sempre) produtivo, portanto destina a atividade e a produtividade artístico-filosófica um patamar medíocre e vadio, assim, não entende e ignora a critica mais profunda do mundo e de si e vê elementos que criam noção de pertencimento e identidade como cultura, leitura, artes em geral ou como supérfluas ou só entende aquele tipo de satisfação rasa e cômoda sustentada pela cultura de massa, cultura feita para sossegar o homem massificado, para criar ilusão de bem estar no homem explorado, para iludir o saber do homem ignorante.
O "homem-massa" acredita que música “erudita”, leitura crítica de livros não-Best Sellers, fruição de vídeo não-block busters..., não seriam distrações, lazer, não fariam parte de um tempo de si, mas sim, seriam mais um fardo, mais uma degradação de seu ser, praticamente um fardo impossível a quem já passou o dia inteiro trabalhando. A “distração”, a fruição da vida não precisa ser somente a simples (industria cultural/ cultura de massa) e não se encontra só nas brevidades de interações sociais, como as  das redes sociais. Para ser prazerosa e criar momentos de quebra de ritmo, momentos de noção de presente, temos que considerar a nossa bagagem cultural, o limite do nosso anseio e o tamanho da nossa abertura. Pois se nos deixarmos levar pela maré das explorações do sistema, que nos quer cercar a individualidade com a produção e o consumo de cultura rasa – que são como uma ração para satisfações humanas genéricas e imediatas; com as distrações midiáticas e tecnológicas; com a propaganda, que vende símbolos de identidades através de verdades que seus produtos não sustentam; com o mercado e a economia que envolve a mercantilização da vida e o trabalho que consome nossa saúde e nosso tempo, esqueceremos quem somos; que somos unidades distintas e únicas com desejos e carências e viraremos mesmo – se assim já não somos – mais de 6.973.738.433 cabeças de homens nesse imenso rebanho humano.
Pare para pensar!



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